sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A EXPULSÃO

Terezinha Maciel e Marven Junius
Temos nesta foto duas personagens conhecidas e de boa fama no nosso querido município de Oiapoque.

Não conheço pessoalmente o Senhor Poeta Marven Junius Franklin, mas através da rede social Facebook e de alguns sites tomei conhecimento da pessoa e do poeta Marven Junius, onde tive a felicidade de ter algumas conversas com ele e verificar sua acessibilidade e simplicidade, atributos que apenas as grandes pessoas possuem.

No entanto, a Senhora Terezinha Maciel não só conheço como também tive a honra de ser um de seus ex-alunos do ensino fundamental. Uma ótima professora, profissional dedicada e que tem o controle nas salas de aula. Já tem seu nome registrado na cultura e na história da nossa pequena e pacata cidade, de fato faz jus à boa fama que tem.

E hoje gostaria de compartilhar mais uma história, que dessa vez terá como protagonista minha ilustre, querida e respeitada por mim, a ex-professora Teresina Maciel, e é com muito cuidado que faço este relato, pois não tenho a intenção de denegrir ou contrariar a sua honra ou a sua imagem, mas apenas fazer uma narrativa da vida como foi.

A EXPULSÃO

Era uma manhã qualquer da semana, onde eu estava na sala de aula ministrada pela professora Terezinha Maciel, na disciplina de Língua Portuguesa. A série deveria ser a 7º, não me recordo com exatidão, afinal faz muitos anos. A turma era boa, formada por alunos conhecidos, velhos amigos, quase sempre sem novatos.

As aulas da professora eram respeitadas, ela não perdia o controle da sala, tinha que ser muito inconsequente para se aventurar nas peripécias durante suas aulas. A nossa professora já tinha boa fama nesse período, tanto da sua inteligência quanto de sua beleza (os entendedores entenderão ^^).

Porém nesta manhã da última aula do dia, alguns amigos da classe se aventuraram em brincar com uma bola de papel batendo pra lá e pra cá, enquanto a professora de costas escrevia no quadro o assunto do dia. A sala escrevia testemunhando essa ousadia, eu ficava vendo essa arrumação rindo, mas sem participar, o que eu menos queria era uma bronca.

Nesse tempo eu era um aluno dedicado, não que fosse um autentico aluno cdf, mas apenas me esforça para ficar no batalhão dos alunos da linha de frente, ou seja, eu estudava, me comportava bem durante as aulas, nunca me envolvi em algum tipo de confusão entre alunos ou contra professores.

Mas neste dia durante a brincadeira, a bola foi rebatida na direção do quadro e a quase pegou na professora. Ela imediatamente olhou para trás, e sem pensar duas vezes e arguir sobre os fatos disse:

_Você fora da sala!!
_O quê professora? Está me expulsando? Por que?
_Vamos! Fora da sala agora!!
_Mas professora eu não fiz nada!!

Simplesmente ao se virar a professora me pegou sorrindo, e acredito que por isso deve ter imaginado que eu estaria por trás daquilo ou de alguma coisa rs. Até então eu nunca tinha sido expulso de sala de aula. E hoje essa é a única recordação que tenho de uma expulsão. Foi uma sensação muito constrangedora. Eu tinha a ingenuidade da reverencia as aulas como algo muito sagrado. O quê? Ficar reprovado? Perder aulas? Ver meus amigos avançarem de turma e eu ficando para trás? Não. Eu via acontecer com alguns amigos, mas não me dava ao luxo de cultuar isso, ainda mais com a pressão em casa rs.

Então quando fui expulso da sala, ao ver que as tentativas de explicação não davam resultados. Que a professora se mostrou irredutível, e mais, que o culpado daquilo nem sonhava em assumir a sua culpa, e que nem a turma ousou em dizer a verdade (sala com futuros advogados, enfermeiros e medico todos testemunhando rs), não me restou alternativa senão pegar meu material e caminhar em direção a saída da sala. Mas indignado com aquela injustiça, onde meu maior pecado foi não conter o riso diante a trágica situação, respirei fundo e retruquei minhas últimas palavras de descontentamento.

_Boa tarde professora. ^^
_Pra você também. -_-

Saí da sala e da Escola Joaquim Nabuco, e indo para casa lembro que fiquei muito revoltado com tudo que acontecera. Nunca tinha sido expulso, e ainda por algo que não cometi. Foi uma dose horrível que tive que engolir, com certeza devo ter xingado, mas não recordo então...na aula seguinte lá estava eu, como fui expulso da sala sem suspensão ou algo similar pude retornar a sala, claro que estava receoso com represálias ou algo assim que me impedisse de está na aula seguinte, porém não houve nada, parecia e foi, algo passado e que ficou na última aula e tudo se prosseguiu como antes.

Mas esse episódio lembro até hoje, e já compartilhei com alguns amigos íntimos. E por algum motivo essa cena está bem guardada na minha caixa de memórias do passado. E sinto a necessidade de informar, que de maneira alguma trago algum rancor ou sentimento negativo para com a pessoa da nossa tão querida e respeitada professora Terezinha Maciel. Tenho um grande respeito e admiração por ela. E que coisas assim acontecem. Nunca se é legal, bom demais, ótimo profissional que não venha em algum momento da nossa trajetória da um deslize. E que a vida é grandiosa e bela. E que os céus tenham misericórdias diante de todos os vacilos que dei nessa vida, que por sinal são incontáveis.

Então é isso pessoal, essa foi a nossa historinha de hoje. Senti vontade de compartilhar com vocês, espero que não interpretem de maneira negativa e até a próxima postagem.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PELOTÃO DOS ESPORTES RADICAIS

Foto: Juan Morais

Esta foto foi tirada por volta dos anos 2004 a 2005 no ensino médio da E. E. Joaquim Nabuco. O mês com certeza é o de setembro onde celebrava-se o Dia da Pátria no nosso município. O fato que me levou a dar atenção a essa foto, é que eu estou nela e mais do que isso, fui um dos mentores por trás desse pelotão rs.

Ainda consigo relembrar de alguns amigos nessa foto. Por onde deve andar esse pessoal? ^^. A questão que sempre em época dos desfiles de setembro, já havia um grande desestimulo do pessoal no ensino médio por essa festividade cultural. E naquele tempo já não tinha muita opção interessante pra se sair na Barão, sem contar das ameaças ou dos incetivos de perdas ou ganhos de pontos pra quem deixar ou desfilar nesse evento ^^, você saía pelo pelotão especial, na banda marcial ou de uniforme mesmo ^^, claro que havia outros pelotões mais alternativos, então encima disso resolvemos montar um pelotão Dos Esportes Radicais, que aglomerava uma moçada do skate, patins, da cross e simpatizantes, onde boa parte da juventude desse entretenimento estava ainda em atividade no colegial.

No entanto devo informar que a criação desse pelotão não foi exclusividade do ensino médio, pois já havíamos desfilado na Barão, num pequeno grupo de amigos e simpatizantes no ensino fundamental. E por conta disso não foi difícil montar novamente o pelotão no ensino médio, foi um grupo grande a se comparar com o primeiro desfile. Com bermudas e calças jeans, camisas brancas, algumas latas de sprays, skate, patins com as cross por último, nos aventuramos em descer a tão badalada Barão do Rio Branco.

E hoje pelo instagram acabei vendo esta foto, que trouxe boas e antigas recordações, e mais esse relato daqueles tempos.

OIAPOQUE GALERIA FLICKR

Monumento Aqui Começa o Brasil

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O DEDILHADO!



Já faz um mês que mudei para este apartamento. Eu gostava do meu antigo cômodo, ficava num bairro bem localizado, onde tinha tudo praticamente, quase não me deslocava para a área central da cidade. Não que esteja reclamando do novo domicílio, mas toda mudança exige tempo para a adaptação. Este apartamento no segundo andar, tem uma varanda que dar para visualizar, distante, as decolagens no aeroporto. Admito que é um momento deslumbrante e nostálgico. Pois transportes de longa distância sempre me faz lembrar de casa.

...aah Oiapoque quão confuso é a atualidade, outrora queria desesperadamente te abandonar, e hoje me pego perdido em lembranças vivas do aconchego da família e do lar. Saudade da família, de alguns amigos, de caminhar as tuas ruas, de se molhar nas tuas chuvas, da calmaria da rotina que um dia cheguei a destetar...

Mas hoje estou aqui nessa cidade quente e abafada, em que tuas elevadas temperaturas fazem tudo ser mais intenso. Bom chega, vou entrar e pegar meu violão. Faz tempo que não pego ele, e agora me parece um momento bom para praticar. Ao pegar meu violão apago a luz e me deito no meio da sala, aos poucos vou fazendo alguns acordes.

...mas antes, eu acredito que dentro de cada ser pulsa um determinado dom. Que se você se lançar a aperfeiçoá-lo com os instrumentos que a nossa sociedade já despõe, você será uma ótima ferramenta de comunicação, e com isso exalar suas impressões melhorando ou deixando o mundo pior do que está. Contudo boa parte da jornada do ser humano consiste na busca do autoconhecimento, tanto das qualidades quanto das limitações, e não só em se conhecer, porém em aceitar a si mesmo... 

E nesse lugar secreto, no tocar do violão, ao mesmo tempo que entoado é uma canção a Ti! Oh meu Conselheiro! Oh meu Guia! Oh meu Rabi! Eis que algo acontece que da paz e segurança encheu meu coração de grande medo, e de um desespero me fez imediatamente sair do lugar secreto para a luz do ambiente visível da sala. 

...enquanto tocava, senti a sua chegada. A sua presença tão inconfundível como o perfume doce que chega primeiro, ou da passada, daquela linda amada. De costume me dediquei a convencê-lo de ficar um pouco mais, te bajulei, te exaltei. Nada fora do comum, a não ser...Meu Deus! O que é isso? Uau! Minhas mãos ganharam vida próprias? Por que não atende o meu comando e agem por si só? Que dedilhado! Que acorde novo é esse? Nunca ouvi tocar antes. E agora a sensação de euforia contagiante está passando e o medo toma conta do meu corpo, ao perceber que minhas mãos tocavam sozinhas um dedilhado que nunca ouvi antes, imediatamente levantei e acendi a luz da sala indo as pressas para o quarto chocado com essa experiencia...

Foi como uma possessão dessa vez. Algo inédito, a Tua presença sempre gerava acontecimentos exclusivos, mas agora foi algo assombroso, não esperava por isso. Que saber? Vou dar um tempo disso, preciso me ater as coisas comuns do dia a dia.

A. A.

domingo, 6 de novembro de 2016

A DIOCESE DE MACAPÁ


Éramos o grupo de jovens da cidade, representando o Oiapoque no encontrão anual da juventude católica amapaense, na capital Macapá. Não me recordo com precisão o tempo exato de tais acontecimentos, mas palpitarei entre os anos de 2005 a 2006, época que tinha em torno de 16 a 17 anos.

Tinha 15 anos quando me envolvi com o grupo de jovens da comunidade São Benedito, e o grupo de jovens chegou na minha vida numa ocasião muito oportuna, pois estava passando por um momento delicado. Com passar dos anos vimos uma juventude se levantar na igreja católica, havia jovens se reunindo nas cinco comunidades da igreja: Nossa Senhora das Graças, São Benedito, São Raimundo Nonato, Pertinho do Céu e no INFRAERO. A Pastoral da juventude ganhou cara novamente, havia muito envolvimento, muitas atividades, guiados por um coordenador que gostava do que fazia.

E nessas circunstâncias de dedicação, a paróquia decidiu enviar uma caravana de jovens para representar a cidade na capital. Em Macapá ficamos alojados num dos recintos da igreja, localizado no bairro Jesus de Nazaré, na diocese de Macapá. Era um lugar muito grande, com a igreja na frente e atrás um grande terreno. O local agrupou jovens das diversas regiões do Amapá. O lugar era maravilhoso, com uma paisagem arborizada, ventilado e muito calmo. As programações do encontro foram realizadas de várias maneiras, dentro e fora do alojamento.

De um modo geral foi uma experiência e tanto esse deslocamento de cidade, está entre jovens de outras regiões, que compactuavam do mesmo entendimento de fé. Mas presenciei nesse retiro jovens se edificando, ao mesmo tempo jovens em atitudes reprováveis como nos encontros causais as escondidas. Contundo, um fato inexplicável me marcou nesse encontro, fato que não tive coragem de compartilhar com o grupo que estava comigo, e nem com ninguém, só depois de anos que relatei sobre isso.

Era um domingo de manhã, o ultimo dia do encontrão, havia uma missa programada dentro do alojamento, num local reservado para missas ou eventos afins, era um grande salão na verdade, atrás desse salão havia outra sala, uma espécie de capelinha. Houve uma ocasião  em que precisava  de ajuda para trazer algumas cadeiras especificas para o salão, juntamente com meus amigos nos disponibilizamos para ajudar e adentramos a capelinha, logo que entrei fui tomado por uma sensação muito estranha, e que gerava um temor que ia crescendo em mim.

Fiz duas entradas nessa sala. Na primeira meu corpo logo sentiu essa estranha vibração, mas sair acompanhado e deixei as duas cadeiras no salão e a sensação logo tinha cessado, mas tive que retornar, e infelizmente só restavam duas cadeiras e que eu devia pegá-las. Dessa vez entrei sozinho e aquela vibração logo me possuiu. Na primeira entrada, tomado pelo o medo não me atrevi a contemplar aquela capelinha, mas na segunda entrada me aventurei a olhar mais detalhadamente tudo ao meu redor. Tudo parecia normal até que ao levantar a cabeça vi uma grande pintura na parece, nesta pintura havia os seus detalhes, porém uma única imagem chamou a minha atenção, uma grande cruz e nela a pintura de um homem, sim simbolicamente o Cristo. O meu olhar foi de encontro ao seu, e em seguida perdi as forças, cair como morto de joelhos e cabeça no chão. Não conseguia me levantar e não me atrevia a olhar para aquele homem, era como um esquadrilhamento do meu intimo, e ver todas as coisas sujas que estavam lá. Aos poucos via me recompondo, levantei, peguei as duas cadeiras e sair da capela sem olhar para a imagem, tão assombrado que não via hora de partir desse encontrão e sair desse lugar. De longe olhava a porta da capelinha do salão sem nenhum interesse, nem mesmo pela missa celebrada pelo o bispo Dom Pedro José Conti.

Quando tudo terminou, voltamos para o Oiapoque, cada um marcado de alguma forma pela experiência de um encontrão juvenil. Nunca comentei com eles sobre esse incidente, depois de anos que mencionei para alguns esse relato, numa daquelas conversas sobre a vida. Porém ainda hoje não encontrei uma explicação para isso. Seria algo do bem ou do mal? Uma visitação de luz ou das trevas?

O fato é que sucumbi, na bíblia há relatos como o de João que caiu como morto na visitação de Jesus em Apocalipse. Eu tenho uma linha de raciocínio ao meditar minha vida de maneira geral e que compartilho na oportunidade de uma boa conversa sobre o mundo metafísico. Mas ainda hoje me recordo desse dia, em que um adolescente sucumbiu ao se deparar com uma imagem daquela, seguido antecipadamente por uma estranha sensação.

                                                       Autor Anônimo.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A BOLA DE FOGO



Em 1963, no ano que aqui cheguei, no porto da base, que fica em frente a são Jorge (do lado Francês), apareceu uma bola de fogo. Muitas pessoas viram isso acontecer.

Moravam no porto da base, aproximadamente seis famílias:

    1.      O senhor Filambre (funcionário da FAB, já falecido);
    2.      O senhor Raimundo Malafaia/Creusa Gonçalves;
    3.      O senhor Antonio de Oliveira/Jacira Malafaia;
    4.      O senhor Vicente Martin /Antonio Martins;
    5.      A senhora Marieta Gonçalves e
    6.      A senhora Nazaré Gonçalves/Adamor/Claudomiro.

Numa noite escura, estávamos todos reunidos na residência de um dos moradores, o senhor Filambre, para uma comemoração e esperávamos dois convidados, amigo do dono da casa para se fazerem presente em nosso meio, pois os mesmos viriam do destacamento, que era o sargento Dalmo e seu amigo.

E já estava ficando muito tarde e os convidados não chegavam, pois já estávamos ficando preocupados com a demora, então começamos a olhar várias vezes para a porteira que tinha logo na entrada e não aparecia ninguém chegando, nem uma luzinha qualquer, nada.

Mais tarde, alguém gritou. Aí vêm eles! Todos olharam e avistaram um foco, tipo lanterna, e acreditando que seriam os convidados esperados por todos. Então ficamos esperando chegar mais perto, logo aquele foco pequeno foi crescendo, crescendo e ficando cada vez maior vindo em nossa direção.

Logo vimos que parecia com uma bola de fogo e cada vez maior, então pensamos logo que aquilo não era o que estávamos esperando.

Para que aquela coisa não viesse mais para o nosso lado, tivemos que fazer o sinal da cruz várias vezes, desconjurando-o dizendo: Cruz Credo! Cruz Credo! Cruz Credo!

E foi aí que tomou outro rumo, dobrando em direção ao igarapé e sumido adentrou no mato. Fazendo um grande barulho quebrando os matos por onde passava.

Rosemary Costa

O texto foi retirado do livro Martinica Ontem da professora Rosemary Costa. A pesar de alguns erros encontrados no livro, tentei ser fiel ao que está escrito nele. A finalidade dessa postagem é apenas captar relatos assim ocorridos na nossa graciosa cidade do Oiapoque.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

100 ANOS

Para alguns tataravó (trisavó).
Para uns bisavó.
Para outros avó.
E Para os remanescentes mãe.

Acreditem no que direi, o sangue é forte e a linhagem é duradoura.


Nascida na aldeia de kumenê no município do Oiapoque, Maria Gomes Narciso, completou no dias 14 de março 100 anos de idade. Atualmente reside com sua filha em Macapá, capital do Amapá.